Markup e margem são conceitos relacionados, mas não são a mesma coisa. Confundir os dois pode levar o empresário a acreditar que está trabalhando com uma rentabilidade percentual diferente daquela que realmente possui.
Por que existe tanta confusão?
Porque tanto o markup quanto a margem relacionam custo e preço de venda.
A diferença está principalmente na base utilizada para calcular o percentual.
No markup simples, o acréscimo é observado em relação ao custo.
Na margem, o resultado é observado em relação ao preço de venda.
Vamos usar um exemplo
Imagine um produto que custe R$ 100 e seja vendido por R$ 150.
O produto recebeu um acréscimo de R$ 50 sobre um custo de R$ 100.
Portanto, o acréscimo sobre o custo foi de 50%.
Mas a margem não é 50%
Para calcular a margem, a base muda.
Agora precisamos comparar os R$ 50 de diferença com os R$ 150 de venda.
Acréscimo / markup simples
A referência utilizada para o percentual é o custo de R$ 100.
Margem
A referência utilizada para o percentual é o preço de venda de R$ 150.
Por que isso importa no açougue?
Porque é comum formar preços aplicando um percentual sobre o custo e depois interpretar esse mesmo percentual como margem.
Por exemplo, alguém pode dizer:
“Coloquei 40% em cima do custo, então estou trabalhando com margem de 40%.”
Essa conclusão não está correta.
Veja o que acontece com 40% sobre o custo
Produto com custo de R$ 100
Aplicando 40% sobre o custo:
A diferença entre custo e venda é R$ 40.
Agora calculamos a margem:
Portanto, adicionar 40% sobre o custo resultou, nesse exemplo, em uma margem de aproximadamente 28,57%.
E se eu quiser uma margem de 40%?
Nesse caso, não basta adicionar 40% ao custo.
Se o custo for R$ 100 e o objetivo for obter uma margem bruta de 40% sobre o preço de venda, podemos utilizar:
Para um custo de R$ 100 e margem desejada de 40%:
Vendendo aproximadamente por R$ 166,67, a diferença entre custo e venda seria de R$ 66,67.
Esses R$ 66,67 representam aproximadamente 40% do preço final.
Margem bruta ainda não é lucro líquido
Mesmo depois de calcular corretamente a margem, existe outro cuidado importante.
A diferença entre preço de venda e custo da mercadoria ainda precisa contribuir para pagar as demais despesas da empresa.
Entre elas podem estar:
- salários e encargos;
- aluguel;
- energia;
- impostos;
- taxas de cartão;
- perdas;
- embalagens;
- manutenção;
- outras despesas operacionais.
Um único percentual para todos os produtos pode ser um problema
Dentro de um açougue, diferentes produtos podem possuir características muito diferentes.
Alguns têm alto giro. Outros permanecem mais tempo no estoque. Alguns possuem maior risco de perda. Outros podem ser usados para atrair clientes ou complementar o mix.
Por isso, utilizar exatamente o mesmo percentual para todos os itens sem analisar o comportamento de cada grupo pode gerar distorções.
O mix também influencia o resultado
Imagine dois produtos.
O primeiro possui margem percentual elevada, mas vende pouco. O segundo possui margem menor, porém possui grande volume de vendas.
Qual deles é mais importante para o negócio?
A resposta depende de quanto cada um efetivamente contribui em reais para o resultado e de outros fatores como giro, estoque, perdas e capital empregado.
É por isso que a gestão não deve observar apenas um percentual isolado.
Antes de alterar preços, conheça seus números
Uma boa análise de precificação pode combinar informações como:
- custo de compra;
- preço de venda;
- margem percentual;
- margem em reais;
- volume vendido;
- giro;
- perdas;
- rendimento;
- despesas variáveis relacionadas à venda.
Dessa forma, o preço deixa de ser apenas “custo mais um percentual” e passa a fazer parte de uma análise mais completa do negócio.
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