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CARNE BOVINA

Carne no osso: como avaliar rendimento e aproveitamento

Na compra de carne bovina no osso, olhar somente para o preço por quilo pode esconder uma parte importante do resultado: quanto a mercadoria realmente entrega depois do processamento.

Carne bovina Compras Rentabilidade

Para um açougue ou supermercado, comprar bem não significa necessariamente encontrar o menor preço por quilo. Quando a compra envolve carne no osso, rendimento, aproveitamento e resultado da desossa também precisam entrar na conta.

Preço por quilo é só o começo da análise

Imagine dois lotes de carne bovina no osso oferecidos por fornecedores diferentes.

Se um deles possui preço de compra menor, é natural imaginar que seja automaticamente a melhor opção. Mas essa conclusão pode ser precipitada.

Depois do recebimento, a mercadoria passa pelo processamento e gera diferentes produtos e aproveitamentos. É nessa etapa que parte importante do resultado da compra aparece.

O preço de entrada importa. O que a mercadoria consegue gerar depois da entrada também importa.

O que significa rendimento?

Em uma análise operacional simples, rendimento é a relação entre o peso recebido e aquilo que o estabelecimento consegue obter e aproveitar comercialmente depois do processamento.

Por isso, para avaliar uma compra, o empresário precisa conhecer primeiro o ponto de partida.

  • Qual foi o peso recebido?
  • Quanto foi pago pela mercadoria?
  • Quais produtos foram obtidos?
  • Quanto pesou cada grupo de saída?
  • Quanto foi efetivamente aproveitado?

Registre o peso de entrada

A análise começa no recebimento.

Registre o peso real da mercadoria e o custo total daquela compra. Sem essa informação, fica difícil comparar o resultado obtido posteriormente.

Exemplo de registro inicial

Peso recebido 300 kg
Preço por kg R$ 24,00
Custo da compra R$ 7.200

Esses números são apenas um exemplo didático. A partir deles, o estabelecimento teria uma base para comparar o que foi obtido depois do processamento.

Depois, registre as saídas da desossa

O próximo passo é entender o que aqueles quilos comprados produziram.

O ideal é pesar e registrar os diferentes aproveitamentos de acordo com a forma como o próprio estabelecimento organiza sua operação.

Isso permite sair da percepção de que determinado lote "pareceu bom" ou "pareceu ruim" e começar a criar dados objetivos para comparação.

Aproveitamento não é apenas carne de maior valor

Uma análise incompleta pode considerar somente os produtos de maior preço de venda.

Mas o resultado da compra depende do conjunto de saídas comercializáveis e do destino dado aos diferentes componentes gerados no processamento.

Portanto, é importante que o estabelecimento registre de forma consistente o destino e o valor comercial dos diferentes aproveitamentos.

Para comparar fornecedores ou lotes, use sempre o mesmo método de pesagem e classificação. Caso contrário, a comparação pode ficar distorcida.

Compare lotes, não apenas compras isoladas

Um único lote pode não ser suficiente para formar uma conclusão sobre o desempenho de um fornecedor.

Conforme o estabelecimento registra sucessivas compras, começa a construir um histórico.

Esse histórico permite comparar:

Preço de compra

Quanto foi pago por quilo em cada operação.

Peso recebido

Quantidade efetivamente recebida e processada.

Rendimento

Relação entre entrada e aproveitamentos obtidos.

Valor gerado

Potencial comercial dos produtos resultantes.

Perdas

O que não conseguiu ser aproveitado comercialmente.

Resultado

O que a compra representou para o negócio como um todo.

O fornecedor mais barato pode não ser o mais rentável

Suponha que um fornecedor apresente um preço por quilo ligeiramente menor, mas que os lotes adquiridos gerem menor aproveitamento comercial.

Dependendo da diferença de rendimento, a economia feita na compra pode desaparecer durante o processamento.

O inverso também pode acontecer: uma mercadoria com preço de entrada um pouco maior pode produzir um resultado comercial melhor.

É justamente por isso que preço e rendimento devem ser analisados em conjunto.

Transforme a desossa em informação de gestão

A desossa não precisa ser vista somente como uma etapa operacional do açougue.

Ela também pode produzir informações importantes para decisões de compra.

Uma rotina simples pode funcionar assim:

  1. registre o fornecedor e a data da compra;
  2. registre o peso recebido;
  3. registre o custo da mercadoria;
  4. processe normalmente;
  5. pese os principais grupos de aproveitamento;
  6. registre eventuais perdas;
  7. calcule os percentuais obtidos;
  8. compare com os lotes anteriores.

Não olhe o rendimento isoladamente

Assim como o preço não deve ser analisado sozinho, o rendimento também não conta toda a história.

O empresário precisa relacionar o rendimento com o valor comercial dos produtos gerados.

Um lote pode apresentar bom aproveitamento em peso, mas gerar uma composição comercial diferente de outro lote.

Por isso, o objetivo final é compreender o resultado econômico da compra, e não apenas produzir um percentual.

A pergunta mais útil não é apenas "quanto paguei por kg?", mas "qual resultado essa compra conseguiu gerar para o meu estabelecimento?".

Crie seu próprio histórico de rendimento

Cada estabelecimento possui sua realidade, padrão de corte, equipe, mix de produtos, preços e perfil de clientes.

Por isso, os melhores parâmetros de comparação tendem a surgir do histórico da própria operação.

Ao acompanhar os lotes ao longo do tempo, o empresário consegue identificar padrões e tomar decisões de compra com mais informação.

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